quinta-feira, 14 de maio de 2015

A vida como ela é.

Todos os dias acordar e fazer as mesmas coisas se torna um tédio. Principalmente quando não fazemos aquilo que gostamos.
O complicado mesmo é fazer da nossa rotina um hábito de vida saudável. Calma! Nada de lembrar daquelas propagandas de produtos naturais voltados para o público obeso, mas falo sério quando o assunto é felicidade.

Acordar em meio ao tempo fresco e molhado da cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente da zona oeste, me faz olhar pelas grades da minha janela e pensar sobre o que poderia fazer de bom. Levanto e enquanto a batata doce cozinha eu tomo meu banho. Me arrumar, eu acredito que seja a coisa mais gostosa de todas; sentir o cheiro do perfume é algo que me deixa excitadamente feliz!

Tomo meu café sozinho, pois se eu depender da companhia de minha mãe eu chegaria mais do que atrasado ao trabalho.

Enquanto isso, as mais sórdidas lembranças de amor tórridos se passam como um filme em minha cabeça. Lembrei esses dias de um caso de amor marginal, com sua licença - Johny Hooker - , que tive na época do carnaval de 2014. Hoje, mera amizade esfumaçada e forjada no calor do desprezo.

Escovo meus dentes, pego minha bolsa, apanho tudo o que eu acredito precisar para mais um belo dia de trabalho.

Ao chegar à empresa, me deparo com minha mesa que me aguarda com suas centenas de tarefas a fazer, mas não antes sem eu prestar atenção no meu horóscopo, claro! Eis que preciso sempre, eu disse: sempre, visitar as colunas do João Bidu, onde de alguma forma ele tenta ler a minha sorte.

Começo a responder os e-mails, falo com alguns clientes, dou uma de bom moço e volto a ler as páginas do jornal digital O Globo. Em meio ao fascínio de notícias desalmadas, tenho nojo de ler os artigos onde aparece o substantivo próprio: Dilma. Já sei que veio falar de corrupção.

Como se não bastasse, até a Ana Maria Braga vem fazer parte de todas as minhas manhãs, com as mais belas frases de auto ajuda que qualquer vertebrado deveria ler ou ouvir.

Além disso, tomar conta de parte de uma outra empresa através de e-mails me faz crer que é necessário ter muito jogo de cintura quando fazemos tudo isso aos 23 anos.

O sorriso que planto no rosto mostra, justamente, o caminho certo que eu preciso fazer todos os dias pra aguentar a maratona pesada e surrada de trabalho. Mas quantos ''zilhares'' de brasileiros não fazem isso? Quantos milhares de brasileiros pedem para trabalhar e não conseguem emprego? Quantos nem chegam a levantar da cama. Isso sim me faz ter forças pra seguir em frente.

Quando ao imaginar que um dia terei que me preocupar com meus filhos, trabalhar pra investir na educação deles será um mero detalhe. Detalhe tão pequeno de nós dois, pois até pra arrumar alguém legal nesta selva de carnificina está difícil. De toda maneira, aquela famosa frase de que sempre há um chinelo velho pra um pé torto se faz realidade quando o coração aperta, a saudade faz o peito doer, daí vem a crise choro, o emocional toma conta, você grita aos seus clientes e detona uma tarde inteira de trabalho!

''Guenta coração!!'' A vida é assim mesmo. Um dia alto, outros dias baixos. Assim é feita ela, aquela que não te abandona, nem mesmo depois da morte: A vida!

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