segunda-feira, 20 de abril de 2015

Debret

É lindo poder se deliciar quando se tem vontade. Seja lá do que for!

A vida é inconstante demais pra ser levada tão a sério.

Não te deixes abater pela soberba da vida adulta e organizada. Mexa-se dentro do seu próprio interior para melhor encontrar sua razão de ser.

Nossa, nunca pensei que ser um autor defunto ou um defunto autor fosse tão difícil fora da imaginação de Brás Cubas. Quanto mais começar a escrever este artigo assim, de maneira tão abstrata.

Lembro como se fosse ontem, aliás, foi ontem, dia 19 de abril, o dia em que fui dar um passeio pelas ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro. Domingo de sol entre nuvens, daqueles onde somente os veículos faziam parte da estrutura paisagística do centro urbano. Andando eu podia  contemplar os resquícios do que sobrou da arquitetura do século passado. Os traços, mais o pouco verde que restou nas árvores e a cor barroca dos prédios antigos faziam do centro os verdadeiros traços artísticos das obras de Debret.

Ao final do passeio eu já me encontrava ali, parado diante das obras dele. Quem diria, imaginar foi, naquele instante, materializar diante de mim as obras do homem que mais soube representar o Rio de Janeiro na contemporaneidade.

Que traços! Nunca vi algo igual. 15 anos de Rio de Janeiro fez do estrangeiro residente o artista mais conhecido na Europa e agora, aqui.

Não somente as obras são tão perfeitas, mas toda a magia de Debret nos traz a lembrança de quão derradeiro fora o nosso passado.

Escravos, imperadores, anarquistas, imigrantes e todos os tipos de povos estavam bem ali, diante dos meus olhos.

Me sentia uma criança impressionada admirando o início do Rio de Janeiro à beira da Praia Grande, ou até mesmo, a vista da Guanabara, tão deserta quanto os arcos da Lapa em noite de Natal.

Nunca se viu um Rio de Janeiro mais belo ao grafiti de um lápis e à tinta de um pincel.

Sem dúvida o maior desejo de Debret era ser lembrado por toda a eternidade.

Espero que assim como eu, outras pessoas também possam ter a honra de compartilhar esses momentos tórridos de silêncio em euforia. Momentos em que a arte fala, grita, ecoa em emoções fulgentes por toda a nossa imaginação.

É lindo poder se deliciar quando se tem vontade. Seja lá do que for!

Brasil nos entraves das trevas sociais e intelectuais

Numa bela manhã ensolarada de quarta-feira, mais precisamente no dia 15 de abril, às 11h 00min, eis que me vejo posicionado à minha mesa de trabalho lendo mais uma edição do meu jornal favorito: O Globo.

Como se não bastasse, não me espantei em ler, na página 14, a seguinte matéria: Desafios para melhorar a Educação do País.

Meu ego e desejo de ler a matérias vieram à boca. Comecei então a minha leitura.

Antes de mais nada, eu gostaria de frisar que o que mais me chamou atenção foi o fato de ter lido (...) a Educação do País, e não ''NO'' país. Isso sim fez a diferença.

No desenrolar da leitura eu pude me deliciar com as mais diversas barbaridades existentes naquele texto. Os altos índices de déficit educacional que o Brasil vive é algo estarrecedor. Ainda assim, obtivemos um grau (mínimo, é claro) de avanço no tema educacional.

Guardei então a minha opinião para o final da leitura. Mentira! Comparei minha opinião com o texto em questão. Ao final, percebi que o que eu imaginava tinha algo bem mais além do que o simples horizonte meu, até então.

''Pátria Educadora''. Essas foram as palavras que deram início ao lance de lixo semântico que veio logo após.

A“Pátria Educadora” tem no horizonte, a médio prazo, um desafio que já foi superado pelos países mais avançados: alcançar até 2022 a nota média (6,0) no ensino básico, patamar das nações agrupadas na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o clube dos Estados mais desenvolvidos do mundo.
Foi o primeiro parágrafo que pude ler.

De um modo geral, ouve-se demasiadamente o problema sobre a educação de uma forma homogênea. O não desmembramento das partes faz com que essa visão não permita ser analisada, ainda assim, sob os horizontes problemáticos que permeiam entre nós. E os professores? E a condição física das escolas? E as condições de trabalho? E a violência dentro das salas de aula? São essas as partes que precisam ser desmembradas e tratadas uma a uma. Entre outras, é claro!

Milhares de professores ainda não possuem a capacidade para lecionar dentro das escolas. Profissionais mal treinados são fatores que permutam a má conduta e má formação.

A diferença é clara: Alunos de escolas particulares ainda são os melhores colocados no mercado de trabalho. Vale lembrar que os alunos são os mesmos, o que difere é a forma de convivência educacional dentro das salas de aula. A preparação que uns recebem fazem deles pessoas mais bem capacitadas para o mercado de carnificina capitalista que vivemos.

Como se ainda não bastasse, há também a questão política que interfere, hoje, de maneira clara e direta nos pressupostos educacionais vigentes.

O que falta no nosso sistema educacional, talvez, não seja somente uma bela reforma. Todos os anos falamos sobre isso. Precisamos mais do que isso. Precisamos de conscientização. De todas as partes. Dentro e fora das escolas. Dentro e fora de casa. Dentro e fora da mídia.

Mesmo que isso leve anos, quinquênios, décadas e assim por diante, o que mais me orgulharia seria ver um país onde a ''pátria educadora'' fosse algo real, e não palimpsesta às adversidades políticas que vivemos em nossas trevas mentais, onde somente os grandões enxergam e se aproveitam da verdade. Onde os donos das pocilgas não querem deixar de serem os donos da pocilga. Onde os que usufruem da humildade social percam a vontade e ganhem a ombridade de fazer parte de um país lindo, saudoso, educado, limpo e honesto.




segunda-feira, 6 de abril de 2015

Babilônia

No dia 16 de março o Brasil e o mundo puderam assistir ao primeiro capítulo da mais nova obra prima da rede Globo: Babilônia.

A novela escrita por Ricardo Linhares, Gilberto Braga e João Ximenes Braga trouxe euforia, emoção, raiva, ódio e repulsa.

A repercussão a nível nacional foi enorme, e não foi à toa: o beijo gay entre duas senhoras de classe alta foi o ato pioneiro da maior emissora do país. Alvo de severas críticas por parte política de grupos evangélicos fez com que a repercussão fosse ainda maior!

Dentre outros fatores abordados pela obra prima global, temos casos de prostituição, roubo, morte, traição, política, chantagem, impunidade e a clássica historia de amor. A novela, na verdade, é mais recheada desses casos sórdidos em forma de alfinetada do que a própria parte da historia de amor.

A repercussão sobre a trama é tanta que nas redes sociais, jornais, revistas e entre outros veículos de informação fizeram da rede Globo a pioneira na transformação da cultura brasileira.

Outras emissoras também criticam a iniciativa global de mostrar tais cenas de beijo gay, prostituição, política etc.

Analisando sobre tais fatos constatamos que muitos conceitos podemos citar sobre tudo isso. Sabemos que o Brasil passa por constantes reformas políticas e econômicas durante os tempos atuais. Fugir desses temas é querer tapar o sol com a peneira. As transformações sociais ocorrem de forma intensa e não espera o conceito pessoal de cada um para pensar em se tornar realidade.

Podemos iniciar a reflexão sobre o que é certo ou errado ao pensarmos primeiramente no horário em que a novela é exibida. Cerca das 21h20min. Como base das críticas o principal alvo são as crianças. Centenas de pessoas falam que crianças não merecem ser torturadas com cenas entre duas senhoras se beijando. A pergunta é: O que uma criança estaria fazendo às 21h20min em frente à TV?

De forma ''palimpsesta'', deixo e me atrevo a escrever na primeira pessoa minha sincera opinião derradeira: - Quem não quer ver beijo gay, não saia de casa. Quem não quer ver prostituição, não ande pelas ruas do Rio de Janeiro durante a  noite. Quem não quer ver traição, não namore ou não case (salvo aqueles que respeitam o relacionamento). Não estou defendendo a rede Globo, e sim, a liberdade de expressão. Todos entendem que durante o horário nobre cenas inapropriadas para menores de idade são comuns em algumas novelas.

Podemos, claramente, chegar a conclusão que a emissora não ensina a fazer essas coisas, ela simplesmente mostra o que acontece na sociedade.

A repulsa que surge dentro de nós, muitas vezes pode ser o nosso próprio ego que não admite algo que já nos aconteceu e que agora estamos revivendo por estarmos assistindo a tais cenas.

Lembro-me bem numa tarde de domingo ao assistir ao programa Domingo Legal, com o Gugu, no SBT, quando a funkeira Tati Quebra Barraco foi perguntada se ela sofre censura pelas músicas que ela produz. A resposta foi perfeita: - Faço meu trabalho porque eu gosto e ouve meu funk quem quiser. Obrigo ninguém a fazer algo de errado e quem estiver incomodado ouve outra coisa!

É mesma situação. Quem não quer assistir as novelas da rede Globo, existem outros canais que podem satisfazer as nossas necessidades.

Bom, críticas a parte, sei que até mesmo este blog pode ser alvo de críticas, assim como qualquer coisa que falamos somos alvos de críticas, todavia, paremos pra pensar no que estamos falando e fazendo, e talvez, chegaremos a conclusão que não seria uma novela que levaria a culpa por fazermos algo que já estamos propícios a fazer!