Lá fora uma tempestade caía sobre a cidade e os ventos faziam da paisagem algo mais vivo e mais real. Talvez, pela primeira vez depois do acidente, o Sr. Traynor pôde se sentir mais vivo (...)
Quem já leu o livro sabe: Os detalhes falam mais do que o filme. Ok, vamos dar uma boa colher de chá, pois não teríamos condições de assistir em duas partes um filme tão forte como esse. Jojo Moyes soube mexer com o coração humano de uma forma diferente. De uma forma que ao mesmo tempo que rimos, também nos deliciamos em lágrimas de tristezas profundas que nos faz pensar sobre o quanto VIVER é importante.
Como Eu Era Antes de Você é uma obra de valor absurdamente semântico e moral, pois possui valores que vão muito além do que uma sociedade racionalizada impõe.
Sr. Traynor: um homem que antes era um Homem cheio de vida, disposição, marcas, desejos e vontades, agora é apenas um ser que existe e que se tornou um rabugento que acredita que a vida não mais existe para ele. O destino o colocou numa posição onde realmente muitos pensam que a vida acabou.
Sra. Clark: uma mulher normal com jeito de menina sem jeito e gostos exóticos que chega na vida dele para fazê-lo, ou tentar fazê-lo, alguém mais feliz.
Acredito que muitas pessoas não gostariam de ter, sequer, pensado na morte do Sr. Traynor. A grande pergunta é: somos capazes de nos colocar no lugar do outro a ponto de entendermos o que pode passar na mente desse ser humano? A dualidade de conceitos varia de acordo com as opiniões desencadeadas após colocarmos em prática essa discussão.
Outro tema abordado de forma palimpsesta é a Eutanásia. Ninguém pensa no ato em si, e sim, na propría morte. A saudade. As lembranças. O fato daquela pessoa não mais existir ali perto de você. De não mais podermos tocá-la, abraçá-la, cuidar e pelo menos dizer um simples oi.
Como Eu Era Antes de Você trás questões que nos faz refletir sobre como é importante o dom da vida. Sobre como é importante aproveitarmos cada momento. Não é apenas um filme. Uma simples obra fictícia de valor monetário.
As lágrimas incessantes são apenas representações do nosso eu interior capaz de se manifestar quando necessário (catarse). É o famoso eu lírico que se manifesta num prazer lacrimoso e faz questão de falar: Hey, estou aqui! É a exteriorização do sentimento de humanidade. Completude. Generosidade. de ser um SER HUMANO.
Quantas vezes você foi capaz de fazer algo por alguém? Quantas vezes você foi egoísta ao ponto de querer algo somente para você? Quantas vezes você se indispôs a deixar de cuidar de si próprio e viver uma vida que não é sua? Razão ou emoção? Reciprocidade... Cativar...
E eu espero que outras obras, sejam elas de Jojo Moyes ou não, possam nos trazer o orgasmo capaz de nos fazer refletir sobre o nosso tempo aqui nessa estrada. Sobre a nossa missão. Sobre o nosso chamado, pois a vida é feita disso, e quando entendemos que cada um possui um lugar no mundo, eis que isso é somente o início de uma busca incansável pela paz e felicidade que aguardamos por toda a nossa eternidade. Eis que percebemos o quanto éramos antes de conhecermos pessoas e vivermos situações que nos colocam vulneráveis ao nosso próprio pensamento.
Muita luz para todos nós!



